O planejamento sucessório costuma ser associado à definição de herdeiros, organização societária e transferência de patrimônio. Mas existe uma questão menos discutida, e que pode comprometer todo esse planejamento: como financiar os custos da sucessão quando eles chegam?
A elevação da progressividade do ITCMD em diferentes estados brasileiros reforça a importância de olhar para esse ponto com antecedência. O imposto pode representar uma parcela relevante do patrimônio transferido, somando-se a custas, honorários e demais despesas relacionadas ao inventário.
O problema se agrava quando grande parte do patrimônio está concentrada em ativos de baixa liquidez, como imóveis ou participações societárias. A família pode ter patrimônio, mas não necessariamente dinheiro disponível para cumprir as obrigações sucessórias no momento necessário.
É aí que surge o risco de iliquidez sucessória. Sem recursos em caixa, herdeiros podem precisar acelerar a venda de ativos, aceitar condições menos favoráveis ou enfrentar um processo judicial para obter acesso a determinados recursos. Em situações assim, um patrimônio construído ao longo de décadas pode sofrer perdas justamente no momento em que deveria ser preservado.
Por isso, planejamento sucessório não significa apenas decidir quem receberá o patrimônio, mas também estruturar como os custos dessa transferência serão suportados.
Instrumentos de planejamento financeiro, como seguros de vida e determinadas estruturas de previdência privada, podem fazer parte dessa estratégia de liquidez, oferecendo recursos aos beneficiários de acordo com as características e regras específicas de cada produto. A adequação, porém, depende da estrutura patrimonial, do perfil familiar e da legislação vigente.
A sucessão eficiente começa antes do inventário. Mais do que antecipar a transferência de bens, trata-se de preparar a estrutura para que impostos, custos e necessidades imediatas não obriguem a família a tomar decisões patrimoniais sob pressão.
Na gestão patrimonial, preservar o legado também significa garantir liquidez para atravessar a sucessão.


